sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Uma Análise sobre Veículos Clássicos ou Colecionáveis em nossa atual realidade - parte III

Até certo tempo atrás (digamos, meados de 2014) observávamos os carros Clássicos ou Colecionáveis numa ascensão em termos de cotações de maneira a criar limites à certos modelos almejados, devido à escassez e valores.
País imerso numa crise sem precedentes desde 2015 (embora a coisa tenha se originado bem antes), não diferente, o mercado de antigos mudou. Alguns valores se estagnaram em meio a uma inflação considerável, outros proprietários colocaram seus hobbies na linha de frente de seus cortes, fazendo ofertas surgirem...e obviamente isso reflete em todo o mercado. Algumas coisas saíram "da gaveta" nesse entretempo e de repente, alguns exemplares estão novamente ou pela primeira vez, disponíveis à venda.
Mesmo se pegarmos os modelos mais cobiçados, não se engane quem acha que a coisa não mudou, afinal 100 mil reais de hoje, é muito menos do que o mesmo de 2 ou 3 anos atrás. Se bem pesquisarem, verão que via de regra as cifras abaixaram ou se mantiveram para quase todo esse filão, pouco prioritário por assim dizer. Sem contar a variação cambial, girando em torno de 4 dólares para cada real, que fez qualquer comparação a ser feita com mercados externos perder completamente o parâmetro. Se antes haviam movimentos à favor das importações de autos antigos com mais de 30 anos, rapidamente o câmbio e  a "reburocratização" aduaneira (de uma Receita ávida por dividendos em tempos de vacas magras), fizeram a coisa cessar...e no caminho que vai, quem sabe se extinguir.
No sentido contrário, as exportações que dizem ir de vento em popa (apesar de estarem rendendo mesmo apenas ao setor primário, já que a indústria exportadora é quase que totalmente - graças ao Foro de São Paulo e sucessivos governos do PT - de origem de capital estrangeiro), trazem demanda americana e européia pelas barganhas cambiais daqui. O melhor exemplo são os colecionadores de Volkswagen alemães que tiveram suas Kombi T1 praticamente dizimadas por lá. Já tem profissional daqui vivendo apenas de arrecadar, restaurar e exportar Peruas Kombi, principalmente de 1975 para baixo.
Alguns modelos importados que estavam com preços praticamente estabilizados como exemplo Jaguar E-Type, começaram a valorizar sobremaneira lá fora devido à escassez, lá se foram alguns felinos por esse rumo.
No geral a coisa piorou, porque modelos realmente bons, estão assegurados em coleções pouco suscetíveis à problemas econômicos. Dos que sobram, coisas boas estão indo embora pra provavelmente não voltarem nunca mais ao país e as importações independentes estão à míngua.
No sub cenário dos Clássicos e Futuros Clássicos nacionais, muita coisa está disposta à venda por valores relativamente mais baixos, mesmo levando em conta a queda no poder de compra.

Mais do que nunca, deve se olhar com carinho para os "futuros clássicos", principalmente dos anos 90. O que poderia parecer caro sobre um primeiro olhar, deve ser repensado se a coisa for realmente boa. A máxima continua sendo: -Compre mais caro um carro irretocável ao invés de pagar a metade num que jamais será...ao final de uma temporada de restauro no pior, verá que as contas batem, os resultados não. Lógico que insistir em figurinhas carimbadas, difíceis de se encontrar e com pouco potencial de subir ainda mais é besteira. Que tal ir na direção contrária? Por exemplo, só desavisados não considerariam o Chevrolet Calibra como um futuro clássico. Só pelo fato de ter formado a trinca de ouro de memoráveis tempos da DTM e ITC ao lado das Alfas 155 e Mercedes C Klasse, já é um bom motivo. Tá certo que eles eram "um pouquinho" diferentes em sua essência...

Mas o conjunto mecânico das 155, incluindo os Twin Spark das vendidas por aqui, também era esponencialmente inferior ao carro de pista (tecnologia de F1 + bolha) e elas não ficaram menos interessantes por isso.
Com manutenção descomplicada, esse carro não representa nenhum desafio para mantê-lo. Bons exemplares são encontrados na casa dos 30 mil reais. Dos poucos que vieram, vários se mantiveram.

http://sp.olx.com.br/sao-paulo-e-regiao/veiculos/carros/calibra-94-colecao-111333303

http://sp.olx.com.br/grande-campinas/veiculos/carros/gm-chevrolet-calibra-rarissmo-em-otimo-estado-159298753?last=1&em=1
Porém, eu não pensaria muito em pagar pouco mais de 50 por um carro em estado de novo como este.

Muitos colecionadores esgotaram qualquer boa chance de se ter um Gol GTi (um marco da nossa indústria)em ótimo estado por um preço razoável, não muito distante disso, o Escort XR3 conversível, sempre se referenciando a exemplares imaculados. Boa parte disso se deve ao fato da maioria das pessoas se influenciar por ondas, modas e tendências, sem se perguntar ou ao menos testar modelos diferentes e chegar a uma conclusão própria.
É meio recorrente ouvir sobre os "esportivados" da década de 90, muitas vezes narrado por jornalistas que nem dirigiram esses carros na época. Esportivado uma ova! Hoje sim existem carros "mal adesivados" que vendem falsas promessas de desempenho e ficam a uma jamanta de distância dos reais esportivos, principalmente dos importados, cada vez mais próximos e portanto servindo como parâmetro.
No início, a verdade é que com algumas exceções, a maioria desses carros teve em sua época, real importância esportiva, entregando sensações e números. Podiam estar a léguas de Porsches que praticamente só se conhecia por revistas ou pelas vitrines da Dacon(antes de 1975). Nessa época, Maverick GT, Dodge Charger R/T, Opala 250-S(independente da versão) e Puma GTB eram reais esportivos, deixando quase tudo que existia pra trás.
Depois, na pós crise do petróleo dos 80, as montadoras fizeram belos trabalhos por aqui com base nos modelos existentes. Gol GT, Passat Pointer e Monza S/R que o digam. Esses carros possuíam vasta intervenção, quase sempre abrangia freios, suspensão e motor. Muitas novas tecnologias foram empregadas nesses modelos antes de se tornarem comuns à linha. Podemos citar amortecedores pressurizados, freios à disco ventilado, carburadores de corpo duplo retrabalhados, injeção eletrônica, comandos de válvula diferenciados...até o emprego dos cabeçotes 16v e da tecnologia Turbo posteriormente. Tudo isso ocorreu por meio desses ditos esportivados. Na verdade isso é conceito de quem não viveu essas realidades e teima em comparar carros de décadas atrás com veículos atuais, às vezes incoscientemente.

Eu particularmente andei bastante em todos eles. Tenho comigo que a fama dos esportivos da Volkswagen não se deu à toa, na maioria das vezes eram os carros efetivamente mais rápidos, principalmente em meio urbano...afora a estabilidade fora do comum de um tal de Passat GTS Pointer que nesse quesito superava qualquer esportivo nacional das décadas de 80 e 90. Curvas de baixa, média e alta, nenhuma tendência a sobre ou sub esterço ocorriam, era realmente uma referência. Naqueles dias, tanto por imprensa quanto na boca do povo, essa supremacia parecia ser abafada. Obviamente, nem publicitários e muito menos proprietários de Gol GTS/GTi falariam à esse repeito.
No geral e na minha opinião, se exemplificar o ano de 1990, a coisa estava mais ou menos assim:
-Muitos lamentavam a morte do Passat, o Gol GTi era a referência tecnológica além do mais rápido, ainda em sua primeira fase, quase o sonho impossível. O Escort XR3, vitaminado com o AP 1.8 fruto da Autolatina (desde o ano anterior), esbanjava estilo, talvez o carro mais belo dessa época. Seu trambulador esquisito e uma certa tendência a arrastar a frente, a mim, fazia a primeira boa impressão somente estética, cair por terra. Potencial o carro tinha, tanto que fez miséria nos anos de competição do "Marcas e Pilotos"...mas sob intervenção na suspensão. Parece que o DNA Ford de fazer carros macios, ia meio de encontro a entregar esse carro com setup mais justo. O "coringa" da época era o Uno 1.6R, muito diferente do 1.5 vendida até 1989, esse motor ACT entregava torque e potência de maneira muito diferente, apesar dos números próximos. Os 1.6 à álcool sem ar condicionado andavam na frente dos Gol GTS. A Fiat ainda corria pelas beiradas do mercado, falta de confiança ainda era o fiel da balança ao rumar para uma das outras 3 marcas, mesmo que o sempre bom custo benefício pesasse à favor. Essas "botinhas" eram no entanto a grande barganha da época pra quem quisesse um carro com desempenho diferenciado. Além do design italiano praticamente alinhado com a matriz, seu acabamento era bom ao contrário de modelos mais simples da linha. Pesava abaixo de 1 tonelada, menos que todos os concorrentes que se alinhavam de 50 a 100 Kg acima. Era um carro ágil, com comandos de acelerador e freio hipersensíveis ao menor toque. Ergonomia e prazer de guiar irretocável, comandos satélites do painel bons como jamais vi se repetirem na indústria.
O Kadett já era apelidado como a "eterna promessa", quando finalmente em 1989 a GM, depois de vários atrasos, conseguiu lançá-lo. No início caríssimo, existiam fila e ágio. Depois a coisa foi se acalmando. Mesmo assim, Kadett GS e depois GSi, figuravam sempre entre os esportivos mais caros, só perdendo para as versões conversíveis dele e do Escort.
O carro sempre parecia ficar um ponto atrás em comparativos editados da época, principalmente em análises item a item. Mas no fundo, tenho a sensação de ter sido o melhor automóvel dessa estirpe que tivemos, pelo menos nesses anos (89, 90,91), ainda apenas como GS carburado. O acabamento, padrão GM era o melhor indiscutivelmente, seus bancos Recaro dão aula de ergonomia até hoje, a sensação de guiar era muito boa. Carro justo mas mais macio que os VW, permitia uma utilização esporte e ao mesmo tempo horas numa determinada viagem não cansavam. Tinha recursos inovadores como o inflador à ar na suspensão traseira via porta malas, permitia deixar o carro alinhado com a frente mesmo carregado. Em resumo, a sensação de solidez era algo que se fazia presente. O mecanismo mecânico do teto solar (opcional) funcionava muito bem e o ar condicionado parecia gelar mais que alguns outros modelos (exceto Fiat que era excelente nesse ponto). O calcanhar de aquiles era o consumo bem elevado além de uma nítida sensação de morbidez quando na versão à gasolina + ar. Aliás, essa é uma pauta para uma matéria exclusiva, pois o que esses carros variavam de desempenho apenas dentro desses 2 parâmetros (combustível empregado e ar condicionado) era algo surpreendente.

É praticamente uma máxima do colecionismo automotor que, carros caros em sua época tem mais chances de sobrevivência aos dias atuais do que pares mais baratos. Outras tantas variáveis existem, mas essa é uma das mais relevantes. Não diferente, é quase impossível achar um bom exemplar de Uno 1.5R (87/88/89) e 1.6R (90, ainda com conjunto óptico frontal grande). Esses carros esfarelaram com o tempo e na mão de diversos proprietários anciosos por desempenho. Quando um exemplar como o apresentado aparece, é digno de aplausos.

http://carro.mercadolivre.com.br/MLB-738617334-uno-16r-_JM
Muito bem mantido por décadas em Farroupilha - RS, este exemplar rodou apenas 86 mil Km, trata-se de um exemplar sem ar condicionado e à gasolina (imagino o porque). Numa das melhores cores das disponíveis, a sensação de equilíbrio e esportividade eram singulares. Mesmo se comparado ao mais rápido Uno Turbo que chegou algum tempo depois, prefiro esse aí de cima de reações mais homogêneas, sem as "passarinhadas de frente" de seu irmão arrabbiato.

http://carro.mercadolivre.com.br/MLB-725346689-kadett-gs-20-no-gol-gt-gts-gti-passat-pointer-_JM
Vejam esse GS 89, parece tão bom que até dá pra relevar a troca dos piscas dianteiros que deveriam ser âmbar. Esses bancos Recaro, são uma aula de ergonomia a muito esportivo atual. Essa era uma época em que as montadoras aceitavam pagar por fornecedores de produtos específicos realmente diferenciados. Isso porque essas versões eram tão caras que a conta fechava. Depois veio a massificação dos nacionais que mesmo em versões de topo, tem a obrigação de custar menos para sobreviver no mercado. Não dá pra negar certos retrocessos implícitos nesses processos mercadológicos.
Esse vermelho é um a álcool e sem ar, oposto ao irmãozinho sonolento (gasolina + ar), original já dava trabalho para o Gol GTi, com algumas horas em cima do 2E a coisa ficava melhor ainda.

http://carro.mercadolivre.com.br/MLB-730101082-kadett-gsi-19931994-branco-nepal-_JM
Que tal um GSi 1994, em estado semi imaculado à preço de Fusca? O mais legal desses carros é o nível de interação entre a coleção e o uso, já que além de possível é prazeroso mesmo em meio ao trânsito, com direito a ar condicionado.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Uma Análise sobre Veículos Clássicos ou Colecionáveis em nossa atual realidade - parte II

Nesta matéria, fiz um apanhado de alguns veículos clássicos(foco em carros acessíveis e não "clássicos de leilão") ou apenas "futuros clássicos", na cidade de São Paulo, Brasil em Fevereiro de 2015, que de certa maneira quebram paradigmas dependendo de como se analisa. Alguns deles, mesmo em tempos de escassez de bons exemplares e bons preços, demonstram o contrário.

Rejeitado na crise do petróleo, o maior aspirante a Clássico Definitivo no cenário nacional é sem dúvida o Dodge Charger (indiferente se standard, LS ou R/T). Em uma década, seu valor subiu aproximadamente 300% e não são casos pontuais, é uma tendência de mercado que alimenta uma efetiva demanda. É natural achar alto o valor de R$ 120.000,00 por este 1976 aparentemente bem restaurado, pode-se inclusive estabelecer comparações com outros veículos da época importados. No entanto, dada sua escassez, importância desse automóvel em nosso cenário industrial (que muitas vezes é o motivo da compra de um aficionado) e principalmente estimativa de custo de um restauro bem feito, colocam rapidamente a conclusão inicial em xeque-mate.
http://carro.mercadolivre.com.br/MLB-619211459-dodge-charger-rt-1976-_JM

Talvez pela premissa de que automóveis esportivos sempre tenham precedência em termos de valorização, sem contar que em 15 anos de produção teve um número de unidades bem mais extenso, o Ford Galaxie demorou bem mais para "decolar". Hoje os remanescentes em bom estado estão subindo de preço à plenos pulmões. Às vezes, nos deparamos com preciosidades como este Galaxie 500 1974, por preços ainda convidativos e mais do que justos pelo que representam, neste caso R$ 48.000,00.
http://seculo20antigos.com.br/2014/10/08/maravilhoso-galaxie-500-74-placa-preta-impecavel/

Ao contrário dos nacionais de luxo que mal passaram para a década de 1980, o Opala demorou mais para figurar entre os futuros clássicos. Durante muitos anos, por valores relativamente baixos se encontravam bons exemplares. Hoje isso mudou e a escalada de preços sobe vertiginosamente, sendo tão caros quanto os "muscles" brasileiros se em versões raras como os SS 4 portas do início dos 70, os SS 6 em geral e alguns cupês com 1/2 teto vinílico "Las Vegas". Já a versão Diplomata esteve cotada como carro de luxo "definitivo" por aqui pra quem viveu os anos 80. Nos dias atuais, o que se encontra são carros em estado lamentável, convertidos à gás, reformados e longe dos padrões de originalidade. Encontrar um exemplar sem restauração, pintura ou qualquer outra intervenção, ostentando todos os itens originais de época como o belíssimo 89 Automatic-4 da foto, é um verdadeiro achado. Longe de ser contudo um futuro clássico acessível, o preço de R$ 39.000,00 não pode ser categorizado como equivocado, dificilmente alguém teria grandes prejuízos com esse carro.
http://www.webmotors.com.br/comprar/chevrolet/opala/4-1-diplomata-se-12v-alcool-4p-automatico/4-portas/1989/12015121

Sem dúvida que a carroceria W201 foi a experiência das mais felizes que a Mercedes Benz teve em se tratando de veículo compacto para o padrão da marca, logo em sua estréia diga-se. Exponencialmente mais caras e desejadas são as versões esportivas 190E 2.3-16 e 2.5-16 by Cosworth, a versão 1993 de despedida LE (US Market 1400 unidades) com motorização 2.3 e 2.6 em cores exclusivas e por fim a versão 2.6 com o tradicional 6 em linha da marca. A unidade anunciada é uma dessas remanescentes em aparente estado impecável e elegante pintura tom sobre tom, embora hajam erros de denominação no título do anúncio e na atribuição dada à disposição de cilindros do motor. O preço 55 mil, é relativamente alto, mas deve valorizar ainda mais daqui por diante. *Tanto neste exemplo como em alguns outros, o proprietário faz o valor flutuar como na Bolsa de Valores, dias após a matéria, valor alterado para 65 mil reais.
 
Para o mercedista "iniciado", eis aqui uma bela "Dallas", carro até hoje longe da preferência de alguns colecionadores em função principalmente da mais desejável "Pagoda". Mas como os preços desta última se elevaram a níveis impensáveis, a sucessora volta a ganhar holofotes. Excelente para passear e atingir velocidades altas com seu poderoso V8, confortável, o carro não chega a ter comportamento verdadeiramente esportivo mas esbanja charme. O preço também alto (85 mil), está no entanto na média de mercado (se é que ele existe); deve subir ainda mais.
 
Tido como o mais importante fora de série nacional, o Puma Vw é sempre desejado e valorizado quando na sua 1ª ou 2ª versão, a chamada Tubarão que foi até 1975. Não possuía as janelas traseiras, em seu lugar guelras que lhe renderam o apelido, além claro de outros pormenores. Houve tempo, próximo à virada do milênio, que esses carrinhos custavam menos do que certas versões de Fuscas. O preço aumentou principalmente em função da diminuição da oferta de exemplares realmente bons e originais. O do anúncio, 1974 está cotado em 39 mil mas tem bons predicados.
 

Nem sempre o mais desejado é o melhor, a não ser que a opinião dos outros seja mais importante do que a sua. Como não é meu caso, falo sem medo de errar que o melhor carro esportivo fabricado pela VW no final da década de 80 não era o alardeado e cotado hoje a preços absurdos, Gol GTI. Seria difícil manter por muito mais tempo a carroceria do Passat em linha em termos estilísticos, mas a verdade é que o carro foi descontinuado em sua melhor fase. O "canto do cisne" foi a derradeira versão 1.8 GTS Pointer. Esse carro andava tanto quanto seu irmão famoso de cor exclusiva e motor injetado, só que fazia muito mais curva. Aliás, esse carro era tão bem acertado dinamicamente já em suas versões de rua que seria referência ainda hoje nesse quesito. Massacrado por proprietários "cupins de ferro", virou sinônimo de carro de "rachador", nunca emplacou como possível futuro clássico. Agora, reais remanescentes e até alguns bem restaurados começam a chamar a atenção. O da foto, não chega a ser uma "máquina do tempo" mas é um carro aparentemente honesto por 19 mil.
 
O Fusca deve ser considerado como clássico definitivo, em primeiro lugar porque ele já alcançou esse status mundo afora, ou seja não é um aspirante como tantos outros. Quem não teve sua própria história de vida ligada a um VW desses é porque provavelmente tem menos de 20 ou 25 anos, já que ele foi figura mais que presente em nossas ruas até os meados dos 90. Fora isso, é uma senhora aula de como iniciar a vida colecionista sem grandes sustos. As versões  são inúmeras e com as mais distintas variações de valor, estamos falando de um carro que atravessou 5 décadas. Apesar disso, ele evoluiu consideravelmente nesse tempo, principalmente na parte mecânica e dinâmica. Mesmo sem termos sido contemplados com as últimas versões mundiais 1302 e 1303 com as muito melhores suspensões dianteiras McPherson, quem já dirigiu boa parte dos Fuscas brasileiros sabe bem as diferentes características de cada um. Por exemplo, os 1200 de 59 a 66 são carros prazerosos no sentido de conviver com cheiros, sons e comportamentos de outrora, mas absolutamente inviáveis de acompanhar o fluxo de uma via expressa nos dias que correm. Os Fuscas Itamar, apesar de terem evoluído em certas coisas, são tidos por muitos como inferiores em alguns detalhes de acabamento aos da década de 80. Estes últimos eram bons carros, mas jamais darão a mesma sensação de guiar  um Fuscão 1500 do início dos 70, na minha opinião o melhor da saga. Outra versão interessante é a 1300 "Tigre" de 67 a 1970(1a fase). Seu motor já não sofre do problema relatado dos 1200 cm3, além disso, sua carroceria e detalhamento possuem quase todo o charme de seus ancestrais "Split" e "Oval" da década de 1950...de preços inenarráveis. Além disso a manutenção de sua mecânica é simples, não faltam peças em comparação aos mais antigos.
Hoje já é difícil achar um carro desses em estado realmente louvável. Muitas vezes, restaurações nem tão rigorosas botam tudo a perder, principalmente na questão da tapeçaria, tanto que muitos apregoam a manutenção da tapeçaria "sem reformas" por mais que esta esteja deteriorada. O simpático Bege Nilo do anúncio está impecável, por dentro e por fora, todo original, sem reformas equivocadas nem os famigerados sobrearos, faixas brancas, latas nos para lamas, galões de cor não original ou ainda dos "porta trecos de bambú". É o tipo do carro "pronto" em termos de não ter que resgatar nada, apenas mantê-lo. Isso pode não ser uma coisa tão clara a quem não tem certa vivência com esses veículos, mas a longo prazo fazem toda diferença. Exemplar digníssimo, por 18 mil.
 
Se a vontade é ter um clássico oriundo da linhagem de Ferdinand e Butzi mas o lado racional falar mais alto, porque não apostar numa ainda não sobrevalorizada 996? Não falando em modelos pré 1974 que são impensáveis a não ser que se tenha uma boa experiência com clássicos e sobretudo uma condição financeira muito mais do que especial, levando em consideração a dispendiosa manutenção quase intrínseca às menos caras 930 e os valores altíssimos já praticados pelas 993 air cooled, pensar nas 911/996 e até 997, é quase como ouvir o preâmbulo da solução. Além do mais, falamos de carros mais atualizados, utilizáveis com menos despesas de manutenção (via de regra)e a garantia de ser um futuro clássico. Notem que belo exemplar 1998 de cor sóbria, pouco rodada e de câmbio mecânico e tração apenas no eixo traseiro, como uma 911 deve ser. O valor pedido de 145 mil, para o chamado "padrão Brasil", é mais do que justo, coloca em xeque outros carros mais caros e menos competentes que ela inclusive.

 
Carro responsável por nivelar "por cima" aquele conceito de que no Brasil só se faziam carroças, alardeado por um tal presidente da aurora dos anos 90. "Absoluto" era seu merecido slogan, símbolo de uma época, não lembro de nenhum outro salto tecnológico/dinâmico tão grande dentro da história de nosso mercado, a não ser mirando nos exemplos estrangeiros que aportavam por aqui naqueles mesmos anos. Esse carro oferecido à partir de 1992, na versão CD, com motor 6 cilindros de 3 litros importado da Opel alemã, era notável, excelente relação r/l e portanto suavidade de funcionamento. Seus números de potência e torque (165 cv a 5800rpm e 23,5 Kgf.m a 4200rpm) não traduziam o prazer de condução, na minha memória, superior ao sucessor (motor 4.1 litros do Opala repaginado pela Lotus). Esteticamente, foi a versão mais imponente e harmônica, com o passar dos anos desintegrou-se nas mãos dos futuros proprietários. Pouquíssimas unidades remanescentes em estado de originalidade e conservação dignos de nota. Este automático por singelos 25 mil, é um deles.
http://www.webmotors.com.br/comprar/chevrolet/omega/3-0-mpfi-cd-12v-gasolina-4p-automatico/4-portas/1993/12201962

A Alfa 2300 sempre figurou entre os carros mais caros e requintados enquanto esteve em nosso mercado. Expoente em tecnologia, a Alfa Romeo aqui, desde seu estabelecimento em Xerém-Duque de Caxias, chancelando a estatal FNM(criada sob o Plano de Metas e GEIA) que produzia sob licença a chamada Alfa JK 2000 (depois 2150, praticamente idêntica à Berlina fabricada na Itália), sempre foi referência nesse quesito. Numa época aonde mal se pensava em freio à disco nas rodas dianteiras dos carros mais caros, a 2300 oferecia disco nas 4 rodas, ao invés de arcaico comando de válvulas no bloco, havia um duplo comando no cabeçote(reinterpretação do bialbero), câmaras de combustão hemisféricas, câmbio de 5 marchas dentre outras coisas. De certa forma, em termos de carroceria a 2300 pagou o preço da matriz italiana não aprovar a produção da Alfetta por aqui (carro fonte de inspiração para a 2300 porém um pouco menor, mais leve, de linhas harmonicas e dinamicamente superior), o desenvolvimento foi feito sobre a mesma planta fabril (anos mais tarde sendo repassada ao controle Fiat já que a mesma comprara a Alfa na Itália) e também sobre a plataforma "JK", com alguns incrementos. O carro agradava, era espaçoso mas um pouco desproporcional principalmente nas linhas traseiras. Atingia um estreito nicho de mercado que buscava por refinamento técnico e dinâmico. Perdia para a concorrência de alguns automóveis da época analisando-se itens isolados como exemplo conforto e fiabilidade. Por ser de maior dimensão num tempo que a Alfa já não mais fazia carros tão grandes, chegou até a ser exportada para países da europa, denominada Alfa Rio, mas não conseguiu se estabelecer.
Até hoje não conseguiu se firmar como um real clássico nacional, mas isto está mudando, seja pela escassez do modelo, seja pelo entendimento de que ela é uma Alfa mundialmente única (requisitada inclusive por colecionadores da marca mundo afora). Contra a maré, pesam os fatos de que a manutenção especializada do modelo não é difundida como outras marcas (quem tem antigos sabe que know how específico é sempre importante) e algumas peças mecânicas não são intercambiáveis com modelos italianos, tendem a extinguir-se, sem falar em peças de acabamento. Portanto adquirir um carro desses para restauração, é má idéia. Exemplares como a 74 (ainda Xerém e não Betim, ou seja, ainda uma Alfa, "Alfa")do anúncio por preço razoável de 30 mil, são quase impossíveis de se achar.
http://carro.mercadolivre.com.br/MLB-619785843-alfa-romeo-2300-para-colecionador-_JM#redirectedFromParent

Se a idéia for gastar relativamente pouco por um futuro clássico quase garantido, como a belíssima Alfa 156 desenhada pelo renomado Walter de Silva, melhor que seja agora, enquanto restam alguns poucos exemplares bem mantidos (já que a maioria se afunda em deterioração em parte pelo péssimo suporte que a Fiat deu à marca no Brasil). Dinamicamente e mesmo em termos de sensações ao volante, nada como uma Alfa 164 e seu V6 Busso, seja 12 ou melhor ainda 24V. Esses carros tem desempenho realmente surpreendente mas a manutenção beira o intangível, seja em virtude de peças, seja principalmente pela mão de obra inexistente para essa refinada mecânica que necessita inclusive de amplo conhecimento literário e de ferramental específico. Já a mais difundida mecânica dos 4 cilindros "Twin Spark", motores muito bons em médios e altos regimes, equipou diversos modelos da marca vendidos aqui (145, 155, 147 e 156), além disso possui ampla equivalência de peças com mecânicas Fiat (Brava, Marea e até Palio). Fazendo manutenções preventivas e mantendo um estoque de peças de reposição é carro para muitos anos, com piacere de guida desde que se ature a suspensão, de curso curto, que apesar de não ser demasiadamente dura, nunca recebeu a devida adaptação para nosso solo lunar, traz certa sensação de aspereza e pouca robustez. Em asfalto bom contudo, é uma delícia. Em termos estilísticos é a vanguarda absoluta de sua época. Poderia tranquilamente ser produzida ainda hoje com pequenas readequações. Acho até que "envelheceu menos" que a sucessora e já descontinuada 159. Achar um bom exemplar depende de conhecimento específico com esses carros e muito mais do que uma análise visual, a dinâmica é essencial. Dada a baixa probabilidade de remanescentes, esses modelos tendem a virar verdadeiros unicórnios no futuro e quem sabe até valorizar-se, contrariando os céticos alfistas que não consideram os "Alfa-Fiats" como reais possibilidades do amanhã. Nas fotos o carro parece bom, quiçá merecedor dos 25 mil, atentem no entanto para o erro na denominação do modelo.
http://carro.mercadolivre.com.br/MLB-628734759-alfa-romeo-164-elegance-top-1999-_JM#redirectedFromParent

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Uma Análise sobre Veículos Clássicos ou Colecionáveis em nossa atual realidade

Às vésperas de 2015 me dei conta que foi justo há 15 anos, portanto na virada do milênio, que os veículos colecionáveis no Brasil (clássicos e futuros clássicos), ganharam definitivamente um novo status. Entraram à partir daí para o gosto de legiões de fãs, pouco à pouco a cultura antigomobilista enfim se popularizou.
Até a década de 1970, praticamente não existia o hábito no país, colecionar carros era coisa de família Matarazzo pra cima, então surgiram precursores como os paulistanos Og Pozzoli, Roberto Lee (Filho do engenheiro visionário Fernando Eduardo Lee) e um pouco depois Flávio Marx, tidos como excêntricos, que cultivaram o gosto e vislumbraram a importância da preservação de automóveis que certamente teriam outro destino, aproveitando inclusive a baixa demanda de mercado à época, para arrematar a preços relativamente módicos, modelos que muito tempo depois se valorizariam muitíssimo, como alguns Vintage (1919-1930), Post Vintage (1930-II WW) e Classic Cars (Post II WW).
Nesse cenário, ocorrem fatos históricos como as crises do petróleo, sendo a última no início dos anos 1980, afetando diretamente qualquer interesse por veículos que não fossem estritamente funcionais. Clássicos V8 americanos foram por aqui desprezados e dizimados, tendo porém anos mais tarde um despertar muito maior do que qualquer imaginação pudesse aventar.

Com a abertura dos portos em 1990, após 25 anos de mercado recluso, o foco (daquele cidadão que seria o futuro entusiasta antigomobilista) no início dos 90 parecia realmente rondar a possibilidade de comprar um carro 0km para uso com a chancela tributária dos automóveis ditos populares no governo de Itamar Franco (pagavam menos imposto os veículos de até 1,0 litro implementados no mercado por força da lei, assim como a "exceção" o VW Fusca 1,6 litro, reeditado entre 1993 e 1996 à pedidos do Palácio do Planalto) e no degrau acima os de qualidade superior, como os importados acessíveis que inundaram nosso mercado com muitas opções à partir de 1993.

É difícil determinar um verdadeiro estopim para o início do "Antigomobilismo em Massa" por aqui, na economia tínhamos o florescer do plano real, o primeiro alento nesse sentido há décadas, no cenário mundial, saíamos finalmente do status de país subdesenvolvido e entrávamos no de país "em desenvolvimento".
Internet, globalização, possibilidade de importação de peças e taxas cambiais convidativas, foram sem dúvida outros importantes fatores nessa estória. Pouco à pouco, a imprensa automotiva, de olho naquilo que se passava mundo afora, abria segmentos para esse novo nicho, noticiava e conclamava para os eventos já existentes mas que tinham abrangência restrita até então. No final da década de 90, já existiam não só artigos como mídias específicas sobre o hobby, foram os anos derradeiros das boas ofertas por veículos até aí esquecidos mas que em breve seriam disputados ferrenhamente tanto pelos colecionadores tradicionais como pelos milhares de novos pretensos apreciadores ou acumuladores de veículos antigos.

Em mercados consolidados e de larga tradição na preservação histórica e de costumes, incluindo o antigomobilismo, como EUA, Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Japão dentre outros, existe um relativo fluxo que praticamente determina oferta e procura, fazendo com que existam verdadeiras "tabelas" no que se refere a preços de veículos clássicos, dependendo de seu estado, originalidade e procedência.

Por aqui, ainda estamos amadurecendo nesse sentido, após grandes altas em preços gerados por fortes demandas porém inconsistentes, observamos não só estagnação como certo recuo nesse mercado entre 2008 e 2014. Fora fatores econômicos, existiu certo fenômeno de paralisação, em função de que boa parte dos então "novos" colecionadores predispostos a se estabelecer no hobby, já haviam adquirido suas pretensões e pelo menos a curto prazo não tencionariam por novas aquisições, de fato o carro antigo bom e barato sumiu das "prateleiras".

Em paralelo, seja por necessidade, seja por puro esporte, a prática da boa restauração, mesmo com graves problemas de mão de obra e obtenção de peças, ascendeu. Para marinheiros de primeira viagem que muitas vezes pularam ao mar antes do atracar, descobriu-se o quanto é caro e demorado devolver a um veículo todas suas características de origem. Muitas vezes, esse fator aliado à escassez de determinados modelos fez com que preços disparassem. Lembram dos tais V8 americanos montados por aqui outrora desprezados? (Leiam-se os "muscles" Ford Maverick e Dodge Charger). Pois bem, de tanto subirem de preço, num dado momento, foi voz corrente no meio escutar que com os valores pedidos, muitas vezes alcançados, daria pra comprar os legítimos "muscles americanos", não só aqueles que aqui aportaram desde sua fabricação como a nova prática permitida por lei, a de importar tais modelos desde que com mais de 30 anos de produção.

Realmente muita coisa desproporcionada apareceu, por outro lado, analisando o custo de restauração, nem sempre os valores requisitados por modelos fielmente restaurados são realmente caros. Como o mercado até hoje (para a maioria dos modelos onde a oferta é maior ou tende a equilibrar-se com a demanda) não paga o chamado custo agregado, muito menos o custo financeiro, acaba sendo bom negócio comprar carro já restaurado. O grande problema é que achar um carro bem restaurado à venda é quase tão difícil quanto um unrestored.

É bom esclarecer que existe uma quase teimosia desse mercado ainda em formação em partir para o caminho mais fácil, no caso o mais barato, a prática de comprar carros incompletos, mal restaurados ou mal conservados e fazer "aos poucos". Na maioria das vezes, o incauto (ou não), percebe que o valor despendido sobre aquela "base ruim de restauração" já supera o valor daquilo que se pede por um modelo imaculado; com a diferença que no caso dele, jamais se chegará a um ponto à contento. Geralmente são essas pessoas que torcem o nariz ou fazem verdadeiras apologias ao "quão absurdo" seria pagar valores pedidos por esse ou aquele automóvel. De uma maneira geral creio que na realidade essa é justamente a baliza que possuímos. Num mercado ainda não consolidado o bastante, fazer o comparativo entre o valor requisitado por um veículo não só com os demais exemplares disponíveis mas principalmente com o custo de restauração. Lembrando que nesse caso, profundo conhecimento e análise sobre o modelo avaliado tem de ser feito, bem como custos de manutenção e restauração.

Havendo essa convicção, tenho certeza que muitas análises podem sofrer profundas mudanças ao se descobrir que o dito caro pode não ser tão caro assim. Contudo, geralmente aconselho pessoas a adquirirem veículos que realmente lhes represente algo, evitar compras por impulso e ter em mente que com exceção feita a algumas poucas raridades, a grande maioria dos automóveis, nunca foram e nunca poderão ser categorizados como investimento. Se pagam sobre o trabalho ou satisfação que exercem sobre seus proprietários, medidas nem sempre factíveis.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Verzegnis

O calendário italiano das provas de subida de montanha é um dos mais interessantes da europa, em parte pelas condições topográficas principalmente nas áreas montanhosas da península que somam mais de 1/3 do território.

Durante o ano são 12 provas em localidades diferentes, uma das mais interessantes no aspecto de peculiaridade é a etapa da Comune di Verzegnis (Provincia di Udine - Friuli). Situada no extremo nordeste do país, a região do Friuli-Venezia Giulia é conhecida por paisagens belíssimas e contrastantes que fazem desse tipo de prova automobilística, geralmente "contra o relógio", das mais lúdicas e técnicas ao mesmo tempo. Os carros são divididos em categorias conforme tipo, época e capacidade cúbica do motor, enumeram-se no regulamento um sem número de subgrupos, contudo ver carros de competição com mais de 20 anos como as Alfa 155 DTM nuove di zecca, são uma atração por si só.
http://www.acisportitalia.it/CIVM/informazioni-risultati/889/Verzegnis---Sella-Chianzutan

Mapa das Regiões Italianas
 
Região de Friuli-Venezia Giulia
 
Provincia di Udine (Verzegnis em vermelho)
 
Comune di Verzegnis
 
Um pouco da 45º edição
 
On board e de Sport Protótipo
 
 

Nostalgia di Autodelta

 
Vídeos de época mostrando os anos dourados da Autodelta:
 
 

sábado, 11 de outubro de 2014

Humor Alfístico


Pelos quatro cantos do mundo encontramos entusiastas pela marca, inclusive em locais aonde a Alfa Romeo sequer estava presente no mercado em sua melhor fase. Achei genial esta charge húngara que se utiliza da referência do filme "Drive", o resultado é bem engraçado.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Filme indicado para Alfistas

Filmado em 1976 teve sua estréia 1 ano depois, produção e direção de Sydney Pollack. O drama romântico se passa à margem da ocupação de seu protagonista, vivido pelo mais do que festejado à época Al Pacino. A película se utiliza acertadamente de imagens reais do campeonato mundial de F1 daquele ano com pequenas inserções aonde o ator se faz presente, guiando pela Brabham BT 45 Alfa Romeo 115-12.
Em inúmeras cenas, José Carlos Pace, um dos pilotos da equipe, atua como dublê de Bobby. O filme não é exatamente focado no assunto automobilismo, renegado pela crítica inclusive, mas vale pela fotografia impecável, locações idem, principalmente ente Suíça e Itália. Além disso, como presença constante, o veículo do personagem: uma belíssima Alfetta GTV.

 
 

domingo, 8 de junho de 2014

LANÇAMENTO: MINI COOPER

Eis o novo Mini Cooper, disponível no mercado brasileiro à partir desta semana. Recheado de tecnologia, esta nova geração do ícone demonstra claramente a tentativa da manutenção das qualidades do veículo, aliada à inclusão de um objetivo cercando aquilo que antes podia ser fator de exclusão para a sua compra. Ou seja, já não é de nicho tão específico, agradará também a quem espera dele um comportamento mais civilizado, sem fatores limitantes de uso como por exemplo a suspensão demasiadamente firme.

Sempre achei o projeto do Mini dos mais felizes na categoria da "releitura", principalmente os de 2ª geração(acima). Ao contrário de outros conhecidos exemplos de carros com motores em locais opostos em relação às versões originais, que também se situam em faixas premium do mercado, o Mini contrasta menos à sua origem. Do outro lado do oceano, temos vários exemplos de muscles reestilizados mas quase sempre com simplificação estilística e de acabamento, para em parte, torná-los viáveis. 
Por outro lado, sempre houve no projeto de Alec Issigonis, não só uma maneira particular de se projetar com sua eficiente arquitetura do motor transversal e tração dianteira, aproveitamento de espaço e distribuição de massas (copiada posteriormente por muitos), como busca pela eficiência dinâmica em âmbito desportivo desde o início na BMC. Na somatória, creio ser o Mini-BMW o melhor exemplo de releitura com caráter preservado que já existiu na indústria automobilística.

Não há dúvida que houve uma expressiva atualização do modelo no que tange à gadgets, habitabilidade, conectividade e propulsores. Mas uma coisa é certa, o Mini já não é tão "Mini", não só pelo ganho na musculatura da carroceria para abrigar os incrementos estruturais mas também pelos menos desejáveis balanços, especialmente o frontal, aonde a projeção entre o eixo e o parachoque é substancialmente maior. Embora equipado agora com amortecedores adaptativos que tornam  a condução mais acertada no dia a dia de centros urbanos mal pavimentados, já é voz corrente pela imprensa especializada que parte do "go kart feeling" se perdeu, seja pela adição de peso na dianteira (são 50kg a mais entre a versão 2.0 e a 1.5 litro), aumento de entre eixos e também pela insonorização da cabine. A verdade é que andar de Mini para um entusiasta automotivo é imcomparável, não é melhor ou pior que outros carros esportivos, é simplesmente único. O baixo centro de gravidade aliado a um "eixo pivotante virtual" (na verdade é a excelente suspensão McPherson/Multilink e a equalitária distribuição de massas que fazem isso) no meio do carro, que em curvas feitas no limite te deixa escolher entre escorregar de frente ou traseira conforme a pressão que se exerce sobre o pedal do acelerador é algo sublime, pude experimentar no Cooper S com o 1.6 litro de 184 cv. Gostaria muito que esse legado não desaparecesse na evolução do carro, vamos descobrir em breve. No entanto, alguns colegas já adiantaram que em suas impressões, embora o dois litros mostre um fôlego impressionante, em termos de comportamento em curvas o 1500 mais leve e equilibrado preserva com maior fidelidade a ancestralidade do carro.

Tenho a percepção de que algo na harmonia do design da versão anterior não se preservou, principalmente no detalhe dos contornos de paralamas que fazem as rodas tanto 16" como 17" parecerem menores do que são, mais do que isso, ainda num certo excesso de volume da frente que teve seu ângulo de inclinação atenuado e espichado. 



Ressalva feita à extinção do velocímetro analógico na polêmica posição ao centro do painel, que particularmente gosto, e também ao espaço para as pernas no banco traseiro, que mudou muito pouco, de resto são só boas surpresas. O carro está mais refinado e bem acabado, não que o acabamento do anterior fosse ruim, alguns botões foram para os lugares certos como os dos controles de vidros e trava que agora estão nas portas. Já o botão de "start" desceu, ficando na linha de comandos à frente do câmbio, numa bonita forma de chave como nos carros de competição, ao centro em vermelho. O problema da extinção do velocímetro analógico que identificava o carro é que nas versões mais simples, aquela grande circunferência no centro do painel, desprovida da central multimídia e sem bluetooth, parece um tanto quanto tola, mostrando apenas as informações básicas do rádio. Já na Cooper S, a multifuncionalidade gerida pelo botão rotativo no console central à moda "idrive" da Bmw se faz válida nos diversos recursos oferecidos com destaque para o GPS. Uma auréola multicolorida é oferecida como opcional em torno da central. Sua função é demonstrar a evolução dos giros do motor, velocidade de ventilação ou batidas do excelente sistema de som Harman-Kardon. Ainda como novidades, surge à frente do eixo do volante o head-up display com as principais informações ao condutor e também o sistema de controle da suspensão adaptativa, que utiliza amortecedores eletro-hidráulicos em todas as versões. Por meio da inversão do fluxo hidráulico oferecem carga e curso diferentes, em modo Comfort o veículo absorve com mais facilidade as irregularidades do piso, em Sport ganha a agressividade de comportamento compulsória aos modelos até então conhecidos. 


Os detalhes das motorizações oferecidas são o estreante 1500cm3 tricilíndrico turbo com injeção direta e sistema duplo Vanos (controle variável dos comandos de válvulas), com 136cv a 6000rpm e 22,5Kgf.m já as 1250rpm. Tem 1Kgf.m de overboost acionado pelo kickdown e como aliado o já conhecido e excelente câmbio automático sequencial de 6 marchas. O controle de tração  presente na versão antiga ganha agora a companhia do bloqueio de diferencial, já que o eixo dianteiro tem a imcumbência de transportar maior carga. No Cooper S, sai o leve 1.6 turbo de 184 cv e entra o bem mais pesado tetracilíndrico de 2000cm3 turbo e seus 192cv a 6000rpm, além dos respeitáveis 28,5Kgf.m no platô 1250-4750rpm, podendo chegar a incríveis 30,6Kgf.m com a "pressão extra" solicitada. Nessas versões custam respectivamente R$ 90.000,00 e R$ 125.000,00. A versão Exclusive do Cooper S continuará existindo, oferecendo a interessante combinação do motor mais forte num pacote desprovido de GPS, Teto Solar e som Harman-Kardon, por mais digeríveis R$ 114.000,00.
Para breve e numa faixa de preço mais convidativa, estreará o Mini One com o mesmo tricilíndrico do 1500 porém com sua capacidade cúbica diminuída para 1198cm3 com 101cv, mas que deve no entanto ter comportamento bem mais entusiasmante que seu antecessor aspirado. Um pouco depois surgirá a versão top John Cooper Works com estimativa de 250cv de potência. 

domingo, 10 de novembro de 2013

Cinquentenário em Sant´Agata Bolognese

Um dos vídeos do concurso de elegância que reuniu na sua localidade de origem, fãs da Lamborghini que comemoraram 5 décadas da existência da marca.